Vampiros Karatekas de Marte

Sempre achei fascinante: um gajo, quando se torna vampiro, passa automaticamente a saber lutar Karate. E é que nem avisa ninguém! Houve aquele, do filme, simpático, que mesmo sem se tornar vampiro, disse “I know Kung Fu” antes de desatar ao pontapé. Mas estes não, levas logo com um triplo rotativo na tromba e as perguntas ficam para depois.

Se calhar é porque Kung Fu não é Karate. Ou se calhar é porque os dentes, crescidos que ficam, impedem que se perceba alguma coisa. Eles tentam falar, mas só se babam.

E isto não se passa só para os lados da Transilvânia, Praga ou até Sodoma (aqui foram umas vampiras lésbicas, não sei se aprenderam Karate, mas também não interessa – o nome Vampiras Lésbicas de Sodoma não me deixa pensar em mais nada), há muitos casos parecidos na sociedade portuguesa: o pessoal que vê um café ou restaurante em trespasse e passa automaticamente a achar que tem capacidade para gerir aquilo.

“Oh Maria, nã sabemos fazer ponta de corno e fomos um bocado roubados nas boas manêras e no português correcto. Ali a tasca do Zé Manel fechou por insolvência… Ai insolvência nã, quê nã sê o qué isso… Falência é que foi. Saberes da hotelaria nem vê-los, mas a gente cá s’amanha. Ainda vamos insolvenciar… Ai insolvenciar nã, quê nã sê o qué isso… fazer falir as 20 tascas que tã lá ó lado, porque a gente é que sabe, se estes fecharam é porque sã parvos. Tu fazes a receita da feijoada de entrecosto da tu mãe, mas sem roeres as unhas lá pa dentro, han! Pomos a nossa filha de 10 anos a servir cafés e eu fico o dia todo ó balcão a bebê mines. Ah! Ainda dizem que é a crise!”

Nós, pessoas que às vezes são clientes, entramos incautos. O estômago já rói e a feijoada da sogra até nem parece muito mal, escrita na toalha de papel pendurada à porta. Até se dizer Boa tarde! parece tudo pacífico, mas quando nos respondem levamos logo com a falta dos dentes, aqui não há desculpa para o babar ou para não se perceber a articulação idiomática. Ou se calhar atendem-nos de boca cheia… Dedos que se enterram na comida, mãos que coçam dentro das calças e hálitos a bagaço que podiam detonar uma bomba de hidrogénio. E não é que o raio da feijoada tem mesmo uma unha?

Na maior parte destes casos, fico com uma tremenda vontade de desburocratizar o livro de reclamações. Alguém que me morda o pescoço que eu resolvo já o assunto!

Gonçalo Fortes

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