A História repete-se sempre duas vezes: a primeira como tragédia, a segunda como farsa

Nos dias que correm vejo política em todo o lado: na televisão, nos decotes das miúdas louras que passam, nos jornais, nos tornozelos das miúdas morenas que passam, na internet,  nas burcas das miúdas muçulmanas que passam…

Foi assim inevitável ir lá parar durante o último episódio da série True Blood. O vampiro Bill (não, não é Igor, Nosferatu ou Vladimir… É Bill!) , num acesso de raiva, presas de fora, estaca de madeira na mão, coberto de sangue, gritou alto e bom som: “We are not fucking puppie dogs”. Pimba! Política!

Formulei logo várias ideias acerca do que escrever adiante. Tantas, que provavelmente dariam para desancar cada um dos 300 mil, à vez. Depois achei que eram muitos: caso se virassem a mim todos ao mesmo tempo, não sei se me apeitava. Decidi então resumir tudo neste único texto… Único, mas concentrado.

E por 300 mil não me refiro a nenhuma versão em esteróides dos 300 de Esparta. Esses, pelo menos, ainda foram corajosos, empreendedores e auto-suficientes. Refiro-me, sim, aos alegados 300 mil patos-bravos que participaram no Movimento 12 de Março. Diz que vai voltar a haver romaria no dia 15 de Outubro, o que deverá causar uma crise de identidade. Como se chamarão daqui para a frente? 12 de Outubro? 15 de Março? 1512 d’Outurço?

Tendo tido mais seis meses para arranjar – ou criar – emprego, gastaram-nos, azafamando-se em gritarias, copos e queixumes, a planear mais uma tarde de gritaria, copos e queixumes. Compreendo. Também faço isso todos os fins de semana, quando vou sair. E gosto!

Mas vou deixar-me de brincadeiras. Primeiro, porque o assunto é sério. E depois, porque não me apetece gastar aqui todo o meu stock de piadas ordinárias. Recorrendo às palavras de Karl Marx que nomeiam este texto, começo por fazer uma súmula do que escrevi, e de algumas conversas que tive, na primeira iteração desta história, a 12 de Março:

«Ainda considerei ir, mas este manifesto incomoda-me muito. Podia ser uma ideia interessante, um protesto genérico, é preciso mudar sem olhar a ideologias, não interessa o lado. Mas não, é só mais do mesmo, fácil. Enquanto culparmos os políticos pelos nossos problemas, a única solução que nos ocorre é choramingar!

‎”Vou porque ganho mal, e não por sentido cívico e cidadania“. Umbigos em queixumes, culturas burguesas e uma pitada de ignorância política.
Não me ocorre que tenhamos perdido o direito ao emprego ou à educação. Não basta estalar os dedos, é preciso tomar boas decisões e criar estruturas. Gostaria de ver se toda esta energia também serve para votar, criar empresas ou até fazer voluntariado numa causa concreta.

Protestar não tem de ser sair para a rua e gritar. Pode ser fazer as coisas como deve ser, levá-las pelo caminho que se quer. E quando formos muitos a fazer isso, as coisas ficam encaminhadas. É muito bonito gritar por soluções sem se perceber que se é uma grande parte do problema. É como o Natal ou os funerais: faz-se nestes dias o que se devia ter feito a vida toda e limpamos a consciência.

Sendo neste caso sair para a rua e gritar, a manifestação pedia para toda a gente levar uma folha A4 com uma proposta de solução. Pergunto quantas pessoas farão isso e a qualidade das soluções.

E atenção: eu não estou aqui a defender que não é preciso mudar. Estou apenas a dizer que há muitos tipos de mudança possível e que não concordo com o manifesto da manifestação. Considerei, porque achei que isto podia ser uma boa ideia. Mas é dito expressamente que o manifesto é o único documento oficial da manifestação, e este é claro. Como não me considero escravo disfarçado, subcontratado, contratado a prazo, falso trabalhador independente e outros que tais, então, por definição, não me querem lá e eu não quero ir. O pensamento livre é isto, não é acorrer em magote sempre que alguém brandir um megafone.

Eu não debato que gostaria de estar melhor, toda a gente gostaria. Mas também gosto de estar como estou. E debato que são o meu trabalho, o meu mérito e as minhas decisões que influenciam na quase totalidade da minha situação. E sinto que essa proporção dirige o meu futuro para algo melhor, fazendo com que este seja o meu protesto e o meu contributo para um país melhor.

Mas manifestai-vos à vontade, não estou aqui a julgar ninguém!»

Prolepse para os dias de Outubro, e um retorno aos fucking puppie dogs do início enquanto construo em cima do que já foi dito:

Não percebo esta ideia de que têm de tomar conta de nós, como se fôssemos cachorrinhos abandonados. Trabalho há muito, mas nem toda a gente lhe chama emprego. As boas decisões que referi atrás começam muito antes da procura de emprego. Não se pode tirar um curso de educação de infância, por exemplo, e depois ficar eternamente a dizer “se tenho uma licenciatura, é para ir trabalhar no que quero!”, recusando trabalhos legítimos à espera de um emprego que nunca aparece. Deixem-se passar vinte anos e ainda estarão a reclamar, pertencendo já ao Sindicato das Mary Poppins na Menopausa. Todos os dias existem casos de pessoas que são chamadas para entrevistas de emprego, para simplesmente não aparecerem. Ou então aparecem apenas para carimbar o papel do IEFP, dizendo que não querem sujar as mãos ou que vem aí Agosto e já pagaram o time-share em Albufeira. Tudo para manter o subsídio de desemprego. Porque, infelizmente, as razões são variadas: elitismo do curso superior, preguiça, oportunismo. Há muita gente que transita entre subsídios de desemprego e Planos Ocupacionais financiados pelo Estado, nunca produzindo e fazendo do benefício um modo de vida. Até há alguns que querem trabalhar mas, espertalhões, fazem-no às escondidas, sem pagar impostos e recebendo na mesma a renda estatal, enganando duplamente o sistema…

O que nos leva à economia paralela, a bazófia preferida do português. É o maior orgulho da tasca: descrever como se enganou o fisco entre dois bota-abaixo o mata-bicho. E eu nem defendo um sistema fortemente sustentado por impostos. Mas, sendo isso o que temos, defendo sim a honestidade. Porque estou mesmo a falar de questões enraizadas na nossa cultura oportunista. É que neste sistema dinâmico, as coisas estão relacionadas umas com as outras: não se pode falar do proteccionismo do Estado na mesma frase em que se diz “ah, com IVA o preço é outro”. Qualquer procura séria de verdades políticas envolve também o escrutínio das verdades pessoais.

Ignorando estas atitudes, infelizmente demasiado transversais à nossa sociedade, insistimos em vir para a rua reclamar paz, pão, habitação, saúde e educação. Alguns destes serão direitos – em minha opinião, nem todos – mas achamos que não temos deveres. É reivindicar sem conquistar. Mas apesar deste modus vivendi de subsidiodependência à espera de um qualquer messias sebastianista, continuamos a ser um país de deslumbrados. Temos o maior número de telemóveis per capita da Europa, dois carros de gama média para alta por família, empréstimos sobre cada um deles e sobre uma casa que até podia ser mais comezinha, somando dívidas que ascendem a 135% das nossas posses. O quinhão de cada um de nós no endividamento externo. Mas não olhamos para dentro e culpamos o Governo…

Helen Keller, famosa activista política do final do século XIX e início do século XX, curiosamente uma radical militante do Partido Socialista, disse: “Security is mostly a superstition. It does not exist in nature, nor do the children of men as a whole experience it. Avoiding danger is no safer in the long run than outright exposure. Life is either a daring adventure, or nothing.”

Porque não é tarefa de um governo criar empregos, mas sim criar as condições que permitam a um país crescer e criar riqueza, e desenvolver-se como uma sociedade livre. Condições que respeitem e garantam a liberdade individual. Esta garantia não pode ser conseguida num regime político intrusivo, em que o Estado decide pelas pessoas, produz pelas pessoas, faz escolhas por elas… É preciso uma desestatização mental.

Escrevi há uns tempos o seguinte: “Estado, vai-te fo#@%!”. Escrevi isto na esperança de gerar polémica através da possível – e comum – confusão entre Estado e Governo, que as pessoas tanto gostam de dizer mal. Não gerei muita polémica, mas o objectivo não foi apenas esse. Foi escrito com a crença de que é preciso emagrecer o Estado e que desta é que vai ser. O Estado tem de ser reformado, inclusive constitucionalmente. Se assim não for corremos o risco de ficar agarrados a dogmas desactualizados, que nos trouxeram à actual situação que vivemos. Há 25 de Abril todos os anos e 1974 já foi há 40, sigamos em frente. Acabe-se com o Estado gordo e ineficiente e com a soberania que nos preenche a vida onde não é convidada.

A ironia é que há uma parte de neoliberal neste protesto. Atira-se fúria à precariedade, mas uma das grandes gorduras do Estado é causada pela falta desta, na geração dos nossos pais. Abotoaram os direitos adquiridos só por respirarem, lacraram-se nas cadeiras estatais onde assobiavam os dias e não deixaram nada para nós. E ainda lá estão muitos, com os fatos já coçados pelos anos de assento. Porque só em Portugal é que há esta ansiedade de ter um emprego até que a morte – ou a reforma – nos separe. Em muitos países desenvolvidos, a mobilidade no trabalho é bem recebida, quer por quem trabalha, quer por quem dá trabalho. Não é incomum trocar-se de emprego ao fim de seis meses e isso é visto como experiência.

E não façam muito caso da distinção que fiz ainda agora: quem dá trabalho também trabalha. As famigeradas Micro, Pequenas e Médias Empresas que, já com os dedos marcados no pescoço, sustentam a insustentabilidade. Porque felizmente, além das pessoas que choram, também há as que vendem lenços. Há quem corra riscos, invista dinheiro e suor. Há quem ponha mãos à massa e trabalhe sem se preocupar se é sexta-feira e sem estar sempre a olhar para o relógio. É possível criar estruturas. Até porque é uma receita óbvia: para dar emprego de um lado, este tem de ser criado do outro. Nunca percebi os cartazes na rua que dizem “Mais emprego”, “Mais produção”… Que raio quer isto dizer? Haverá mais emprego quando alguém o criar.

Curiosamente a iniciativa privada, que cria empregos, também é atacada por quem quer que lhes dêem um. Já que se tem o megafone na mão, vai tudo a eito. Criticam-se os patrões, os horários, os lucros, os objectivos, as secretárias, que são já velhas e feias e deviam ser novas e boazonas… Ignorando o risco que quem cria uma empresa corre, as dores de cabeça por manter a engrenagem em movimento, pagar salários e impostos, achamos que é sempre alguém oportunista, que nos quer explorar e enganar. E apesar de não trabalharmos muito porque não nos apetece e recebermos o nosso ordenado por inteiro, diabolizamos os lucros de uma empresa e as pessoas que os tornaram possíveis, além dos nossos ordenados. E atenção, não estou a desvalorizar o valor do “trabalhador” e o seu contributo para esses lucros. Até porque estas críticas não são feitas apenas por quem trabalha a quem lhe dá trabalho. Quero apenas clarificar um preconceito que acho injusto. Estas críticas são genéricas, atiçadas a qualquer pessoa que fuja à carneirada. Qualquer pessoa que se destaque e tente criar obra. Uma sinfonia, um livro, um edifício, uma filosofia, ou a moda actual para a crítica: uma empresa.

Ayn Rand, filósofa russa do século passado e criadora do movimento chamado Objectivismo, lançou para debate a seguinte questão: “Poderá um homem ter direito à vida se se recusar a servir a sociedade?”. Por servir a sociedade, referia-se a fazer o que o colectivo faz e não se destacar. A mente de uma pessoa é individual e muitas das obras da Humanidade partiram de pessoas singulares e razões egoístas. As inovações que estas obras trouxeram foram muito diferenciadas nas áreas da Humanidade que afectaram, do fogo à roda, da anestesia ao avião, passando pela posição do Sol em relação à Terra. Mas houve um padrão: todos os criadores foram considerados transgressores. Loucos, pagãos, traidores, que foram queimados, banidos ou sujeitos a uma carga de porrada. E não daquelas em que pagamos a duas prostitutas de Amesterdão para nos darem…

Foram sujeitos a este julgamento pelo colectivo parasítico que os rodeava, tentando ancorar sempre o seu destaque, mas depois absorvendo e alimentando-se do seu trabalho, alegando altruísmo. Independentes e vivendo para a sua obra, os criadores prosseguem em surgir, deixando o colectivo a viver em segunda mão. E clarifico que não estou a falar de individualismo versus trabalho de equipa ou que não devemos viver em sociedade. Aliás, o tag-team  das prostitutas ali atrás demonstra que até defendo o trabalho de equipa.

Refiro-me a liberdade de pensamento e concretização de realidades individuais. Refiro-me ao avanço que uma simples ideia pode trazer à Humanidade, se for posta em prática. Refiro-me à injustiça nos ataques a causas que consideramos egoístas. Por definição, o objectivo de uma empresa é o lucro. Mas isso não a torna imoral. Não é sinónimo de pessoas maltratadas, de salários baixos, de corrupção ou maus patrões. Antes pelo contrário, as empresas também têm uma função social. E o lucro permite uma melhoria das condições das pessoas, permite o reinvestimento e o crescimento, permite a geração de novos empregos.

José Pedro Aguiar Branco fez aquele que eu considero o melhor discurso político da década, no dia 25 de Abril de 2010 (http://goo.gl/alNHc). Valendo-se de algumas citações de personalidades que piscavam o olho à esquerda, disse coisas como: “Povo é o operário da Lisnave e o seu accionista. Povo é cada um de nós. Povo somos nós.” ou “Onde a esquerda lê Povo, nós lemos iniciativa privada ou social.”.  É preciso acabar com este preconceito e criar aproximações. Tem de haver a percepção que qualquer pessoa pode, sim, em vez de ir à manifestação, abrir uma loja de megafones. Em dia destes, é uma mina de ouro. E sempre deixa de achar que precisa que o Estado tome conta dela!

Não vou falar do voluntariado que falei lá bem atrás, porque isso fica à consciência de cada um. Ou a um qualquer Tributo Solidário, para justificar mais um subsídio…

Mas quero falar do votar. Queixamo-nos da democracia representativa, mas as nossas taxas de abstenção continuam absurdamente altas. Queremos democracia directa, mas não nos envolvemos nos aparelhos que já temos montados. Nem vou elaborar muito nos perigos da democracia directa e referir o plebiscito constitucional de 1933 que, dando o poder ao povo, elegeu Salazar e nos trouxe 40 anos de ditadura. Porque a democracia não representa necessariamente a verdade. Mas o envolvimento do povo nos seus orgãos aproxima-a disso. E que tal uma participação mais directa nos partidos, contaminando-os com ideias e filtrando os seus líderes? Dessa forma, não teremos perdido toda a fé a cada 4 anos, porque as pessoas que lá estão já foram previamente escolhidas por nós e até partilham as nossas ideias. E convém ir votar nesses dias, porque senão ganha o outro que não fomos nós a escolher. Seguimos este lugar-comum da revolução, de uma mudança que me parece sempre tendenciosa no sentido.

Curiosamente já mudámos. Mas porque queixar é cultural lusitano, insistimos em não o ver, mantendo o preconceito ideológico. E se fosse um queixar inócuo, do estilo “Vim aqui queixar-me porque pensava que tinha um tumor nas nalgas, mas afinal era só o telemóvel no bolso de trás das calças!”, não seria muito grave. Mas não é. Dizemos que os políticos são sempre “os mesmos”, que são todos iguais. Todos incompetentes e mentirosos, todos da mesma laia. Considerar isto é pôr em causa a própria democracia. Se são todos iguais, não faz sentido a escolha, o acto eleitoral e a renovação democrática. Não representando a democracia a verdade, ainda é o menor dos males. José Sócrates disse na sua passada campanha eleitoral que este PSD é o mais radical dos últimos 30 anos, ideologicamente falando. Achou que isto era bom para a campanha PS, eu achei que estava a dizer às pessoas que é possível existir mudança dentro daqueles que são “os mesmos”. E pela primeira vez, temos ideias novas e uma verdadeira alternativa de Governo. Claro que muitas medidas são impopulares, mas infelizmente fazem falta. Há que contra-balançar o despesismo populista dos últimos anos. Mas isso demonstra a coragem que é preciso ter para as pôr em prática, sacrificando eleitoralismos.

E apesar de me considerar rapaz das economias – e pensamentos – liberais, não defendo o capitalismo laissez-faire. Não podemos é ter um estado que é jogador e legislador ao mesmo tempo. Retira-se de onde não é preciso e fica como regulador. Um Estado que tudo dá, tudo tira. É uma ditadura disfarçada que se pode tornar muito perigosa, não deixando nada para “eles comerem tudo e não deixarem nada”. O próprio Álvaro Cunhal concordou comigo, mesmo antes de eu ter nascido, tendo dito durante o PREC que não pretendia fazer uma revolução socialista, optando por um capitalismo regulado e a manutenção da propriedade privada. Se não tivesse morrido, estava aqui a subscrever tudo o que digo, de certezinha absoluta!

Se a economia do nosso país melhorar, toda a gente melhora com ela. E não é com mentalidades antiquadas e preguiçosas que o vamos conseguir. Nem com um Estado gordo a gastar indiscriminadamente o que nem sequer tem. Somos a geração mais qualificada. Então trabalhemos para algo melhor. Usemos essas qualificações para consolidar estruturas. Para criar exemplos dos rumos que queremos. Participemos activamente nos orgãos políticos. Acabemos com o despesismo, a cultura do subsídio e deixemos de achar que precisamos que tomem conta de nós. Mude-se sim, mas primeiro as mentalidades e as culturas. Se o Gorbachev me permitir o léxico, digo que precisamos de mais glasnost no espírito e perestroika na carteira.

Desculpem-me, 1512 d’Outurços, mas não vou poder ir. Vou estar ocupado a criar empregos. Alguém quer um? Bem me parecia que não!

Gonçalo Fortes

Deixo aqui alguns cartazes de 12 de Março, para que se perceba a qualidade das propostas. A última imagem não é, mas apareceu na pesquisa do Google. Decidi colocá-la também, é sem dúvida a que tem mais qualidade…

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4 responses to “A História repete-se sempre duas vezes: a primeira como tragédia, a segunda como farsa

  • Rabitt

    Hummm… Acho q concordo ctgo em 75% do q dizes. de resto ou são ideias demasiado liberais para uma barreirense ou n li pq aqui são 5 da manhã e estou e tentar curar a insónia e n prolongá-la. De qqr forma quis comentar pq li o q comentaste no standaedsandpeople, no pedro. A verdade é q sempre fui contra a subsidio dependência mas cheguei a um ponto em q me questionei pq é q toda a gente parece ter a vida q quer e eu n consigo sair da cepa torta?! Saí e neste país com uma cultura de trabalho completamente diferente comecei a perceber as oportunidades q há e q n via e ganhei outra perspectiva. Outra vontade. E é isso q falta em portugal. E claro, tb, a honestidade. Vou dormir!

    • Gonçalo Fortes

      Foi uma boa experiência, então? Honestamente, eu não vejo mal nenhum em emigrar. Anda toda a gente a atirar-se ao ar por isso ter sido sugerido pelas nossas instâncias políticas, mas eu acho isso óptimo. Alarga horizontes e perspectivas, como disseste. Além de que também há-de haver quem imigre para cá e as coisas equilibram-se. Ainda há pouco tempo li um artigo do Umberto Eco a propósito da importância da emigração para fomentar a união europeia (sem maiúsculas, refiro-me às pessoas) através da partilha de culturas. A mobilidade é boa, mesmo profissionalmente!
      Eu próprio sinto que lá fora (talvez aí?) as condições são completamente diferentes, melhores para quem quer fazer coisas. Por cá, é muitas vezes sufocante ou burocrático, promovendo as pessoas que se acomodam e constrangindo as que se mexem.
      Concordo plenamente, acho que isto é mais um problema cultural que político. É preciso vontade e honestidade, sim.
      E depois de haver massa crítica demonstrada, uma revolução do que se quer fazer e não do que se quer pedir,o resto do país acompanha e gera uma evolução a vários níveis que sustente esses valores.
      Ainda vou ficando e tentando…

      Dorme bem! 🙂

  • Rabbit

    Eu não vejo mal nenhum em emigrar. Aliás, sou contactada várias vezes por pessoas que pensam vir para cá e digo sempre que mesmo que depois n fiquem, a experiência que aqui têm e a mudança que que vão sentir valem a pena. Contudo, eu dizer emigra ou o Passos Coelho ou algum ministro dizer emigra, não tem o mesmo peso. Esperamos dos nossos governantes que nos digam: fiquem que somos capazes, juntos vamos conseguir. Mesmo que seja mentira, é isso que queremos ouvir das pessoas a quem confiamos a gestão do nosso país. Assim comássim eles já mentem tanto que uma mentirinha destas faz mais bem do que mal.
    Eu costumo dizer que Portugal é pequenino. E não me refiro à dimensão geográfica do país. Refiro-me à pequenez de espírito. Quando li no teu texto a referência ao como é bom enganar o fisco… epá porra! É que é isso mesmo que me mete nojo! Ainda noutro dia falava com um tuga cá em Sydney que revoltado dizia: “não quero contribuir mais para a economia portuguesa. São todos uns corruptos e uns merdosos”. Muito bem, pensei eu. Logo a seguir: “vou alugar o meu apartamento mas sem recibo”. Ora porra! É o chico espertismo no seu melhor!
    Outra muito recorrente é o pessoal que me manda mails que quer vir para cá “trabalhar na área”. Quando lhes digo: “ou és engenheiro ou vais ter é de ir trabalhar como empregado de mesa (como eu) ou a lavar pratos ou na obras”. E de repente perderam logo a vontade de vir. Mesmo que aqui lavar pratos lhes dê uma média de 2000 euros/mês. Então e a vergonha de contar aos amigos e família que tirou um curso de história de arte ou jornalismo mas agora lava pratos? nã nem pensar!
    Para o português ainda há empregos de primeira e de segunda. Aqui na Austrália nem te perguntam o que fazes. Não interessa nada, desde que trabalhes. Senão trabalhas então já te olham de lado. Eu fui jornalista durante dez anos. Findos dez anos vi-me desempregada e sem perspectivas. Meti mãos à obra. Aprendi tanto neste ultimo ano, tenho tantas ideias e planos como nunca antes ousei ter. Sacrificios? ui tantos! Não vou dizer que sou a maior, há muita gente que faz como eu, ou é ainda mais corajoso. Mas enerva-me a inércia dos jovens portugueses. Enerva-me o pensarem que agora com a licenciatura na mão já n têm de aprender mais nada. E acredito que ou esta atitude muda ou seremos anexados pela Alemanha ou coisa do género.
    Agora é a tua vez 😉 dorme bem

  • Gonçalo Fortes

    Não, não estive a dormir até agora. 😛 Foi uma semana atarefada, só agora pude responder.
    Ok, concordo que tem um peso diferente. Acho que um governo deve ser optimista, motivador. Usando uma expressão que agora anda na moda, não deve ser piegas. 😉 Mas o optimismo tem de ser sustentado pela realidade, não pode ser sem fundamento, ou escondendo coisas.
    Quanto ao facto de serem todos mentirosos, é um preconceito que me incomoda. As pessoas não são todas iguais e as conjunturas mudam. É preciso adaptarmo-nos. Para além disso, se as pessoas se interessassem mais, não seria preciso tanto eleitoralismo, areia para os olhos. Devia ser possível votar em alguém que diz que vai aumentar os impostos.
    Puxando a brasa à minha sardinha, e incentivando a que percorras a minha toca, também já escrevi sobre isso, à minha maneira: https://oevangelhodocoiote.com/2011/10/17/et-toi-brute/
    Quanto ao resto, concordo plenamente. Há muitos preconceitos com o trabalho.

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