Ama a Deus

Era uma vez um rapaz muito aplicado e religioso. Um rapaz que amava a Deus. Era bom aluno, escovava os dentes e rezava todos os dias. Um dia decidiu que queria ser compositor. Deus achou que isso da artes não era de boa gente e castigou-o. Surdo mas eroico (sem h e sem acento), compôs três, afinando o diapasão entre os dentes. Mas Deus não é bom perdedor e rebentou-lhe a cremalheira. Sem sorriso que atraísse rapariga, continuou a trabalhar e compôs mais quatro. Deus não gostou e ofereceu-lhe um saquinho cheio de cirrose, sífilis, hepatite, envenenamento por chumbo, sarcoidose e doença de Whipple. E ainda lhe roubou uma harpa, que havia um querubim que andava a fazer gazeta. Prestes a desligar a máquina, a enfermeira perguntou-lhe: Tu aí, rapaz da nona, como é que te chamas?

Ludwig van Beethoven, senhora.

Gonçalo Fortes

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