Monthly Archives: Novembro 2011

Será?

Tasca. Daquelas que serve peixe frito ao almoço e bolos pela manhã. Ainda é noite, mas é já dia para alguns. Já é dia, mas é ainda noite para alguns. É um destes últimos. Um betão estóico sentado ao balcão, com alicerces de minis Navio-Escola e pastéis de bacalhau. Não é ainda hora do peixe, mas confundem-se com bolos.

– Então, pá, que te aconteceu?

– O mesmo que acontece a todos os homens: uma mulher!

– Há outras coisas que também acontecem. Que tem essa mulher?

– Há outras coisas? Deves ter uma vida muito desinteressante, tu. Esta mulher tem muitas formas de dizer que não, e só algumas querem dizer sim.

– Não achas que um não pode ser um não?

– Acho! É por isso que estou aqui. Parado. A angústia é um paralítico, o amor é um motivador muito melhor. E quando se tem um desejo perfeito, não se quer procurar outra coisa. Vou já numa versão abreviada. Falta-me o tempo, uma hora a menos no relógio, que me vai comendo a vontade.

– Isto é país católico, há muitas Marias na calha. E tu podes tê-las todas!

– Não posso nada. Tirando o facto de me vir nas calças todos os dias, não tenho nada de especial. Sou até um tipo bastante normal…

– Serás? Olha, bebe aqui um galão. O café e o açúcar vão acordar-te. Animar-te!

– Além desta mini e do peixe que é bolo, não provo nada a não ser melodrama.

– Tens fome, aposto. Foi uma noite cansativa. Toma, vá! Ainda me vais agradecer.

– A gratidão é inútil. É apenas a expectativa de favores futuros.

– Estás só para aí feito íman carente e eu a tentar tirar sangue da pedra. Vamos mudar de assunto. Não falemos de homens ou mulheres.

– Falamos de quê então, hermafroditas?

– Ora aí está um assunto positivo. É só vantagens. Imagina as possibilidades de ter dois sexos!

– Imagino, sim. Podes ser impotente e frígida ao mesmo tempo.

– Porra, que língua de navalha! Não te sai nada de bom dessa boca.

– Só esta espinha, agora. Há bocado também me saiu um pirulito de cerveja. Voltou para trás! Já não sei se foi depois da número 17 ou 18.

– Charmoso, han! Aposto que com esses adereços a conquistavas num instante.

– Conquistava quem?

– A mulher do início. Essa matrioshka de sins e nãos.

– Ahhh era disso que estávamos a falar? Não ligues a isso, pá! Eu quero é fornicações épicas aleatórias.

 

Gonçalo Fortes

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Bola de Dragón Zeta

Afinal a teoria do “Z” falhou e o Rajoy é que reuniu as 7 bolas mágicas. Mas apenas um desejo não lhe vai chegar para a empreitada que é Espanha. Não sendo necessária a fuuuuuuusão, adivinha-se um trabalho de Super Saiyan Grau 4.

Gonçalo Fortes


É atómico, pá!

Diz-se por aí do que escrevo aqui que não devia tratar certos assuntos sérios como trato e misturar coisas como política e sexo, religião e sexo, chantily e sexo… Ao que eu pergunto: mas qual mistura?

E já agora, se a Benetton pode, eu também posso: http://goo.gl/TP0e4

Gonçalo Fortes


Eu sou o Alfa e o Ómega

Que é como quem diz “Eu sou o princípio e o fim”, depois de Deus ter inventado a Grécia.

Gonçalo Fortes

 

 

 


Eu sou o princípio e o fim

Estamos em alturas da Kristallnacht. E já com ares de julgador de que a tabela da eterna disputa entre Judeus e Cristãos para ver quem é mais coitadinho vai pender a favor dos Judeus, José Policarpo, o cardeal patriarca de Lisboa, disse que “Hoje sinto uma perda discreta e progressiva do poder de quem nos governa(…)”.

Uma frase destas, saída do seio da Igreja Católica, dá que pensar. Primeiro, porque não é permitida a ordenação de mulheres, logo a Igreja não tem seios. Segundo, porque isto só pode representar uma quebra de fé. Quem será o poder que nos governa? Nestas coisas dos assuntos espirituais, a resposta está logo aqui, na ponta da língua: Deus Pai Todo Poderoso. Ou deverei dizer Deus Pai Discreta e Progressivamente Menos Poderoso?

Estou em crer que só pode ser este o assunto em questão. Sei que já referi isto antes, mas foi de soslaio e decidi tentar outra vez: Não me cabe na ideia, nem debaixo da batina do cardeal sequer, que se esteja a tentar um intervencionismo do Vaticano sobre o nosso Estado, laico. De laicidade, não é o marido da cadela orbital… Mas eles continuam a opinar todos os dias sobre os assuntos temporais, profetas da politeia. A arrogância é pecado, um dos sete magníficos, e no máximo já basta acharem que podem negociar feriados.

Legislar, Irmãos, só nos cânones!

Gonçalo Fortes


Portuguese dream

Ora porra! Se soubesse mais cedo que “Portugal, tal como os Estados Unidos da América, também é uma terra de oportunidades”, tinha usado a nobre nação lusa no texto do zé-cuecas. Obrigado, Senhor Presidente!

Gonçalo Fortes

 


Zut alors! (ou Ainda o Orçamento)

O Luís,

O Luís,

Já foi a Paris.

Chegou lá,

Chegou lá,

E torceu o nariz ao Orçamento de Estado…

Espera lá! Mas isso não rima!

Pois não, mas ele também não se chama Luís. O Luís é o outro, o do nariz  partido. Que é como está o Partido que se absteve.

 

Gonçalo Fortes