Atlas Shrugged

Não fora logo para casa. Telefonara a avisar já vou, mas mentira. Teria mentido ainda que houvesse alguém para atender. Mas virara por certo no sítio errado e não se corrigira no rumo. Mudar de rumo? É preciso vento. Rodeado de paredes, vento era luxo que não tinha agora. Deixou-se ir pelas ruas, um andar que mais parecia arrasto. Porque o peso existe, agarrado às correntes. E assim, cada vez menor, se dissolveu na calçada.

Não fora logo para casa. Há quem lhe chame imóveis e isso diz logo sobre o peso. Diz mais que o telefone, sem ninguém do lado de lá. Ninguém que espere, mas também ninguém que prenda. Não quer grilhões nos sonhos. São como o vento, não por serem etéreos, mas por não existirem agora. Sentia-se intratável, intolerante e intransigente. As ruas, apesar de estreitas, davam uma certa sensação de liberdade. Deixavam pensar.

Lamentou erros do passado e formulou desculpas para o presente. Correu. Não como quem foge de alguém, mas como quem persegue algo. E carregou em ombros todo o futuro…

Sustentar o globo custa. Mas a dor não dura sempre. Diminui para metade. Mais ou menos na mesma altura em que a coluna se parte!

 

Gonçalo Fortes

 

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