Monthly Archives: Julho 2012

Linha mortal 103

Agora que se sabe que o Manuel de Oliveira melhorou e quer voltar às filmagens, corre o rumor que o filme escolhido é a sequela do Flatliners.

 

Gonçalo Fortes

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Not purrfect!

Depois disto:

disto:

e também disto:

é isto o melhor que conseguem arranjar?

 

Gonçalo Fortes


Lips, stick

Não conseguia dormir. Ainda se masturbou cinco vezes de seguida na esperança de desmaiar, mas em vão. Também, sempre achou que há qualquer coisa de pouco másculo em adormecer. Ficou a pensar nela…

Menina de pandeireta em banda de bar, atirava sorrisos às danças ébrias em seu redor. Machos em maioria, que as mulheres guardaram-se para o guitarrista da mesma banda. Lábios que pareciam desentupidores de canos manchados por um rosa Barbie, foi apenas quando chupava vodka ao balcão que decidiu aproximar-se dela. Femeeiro descontrolado, convenceu-se que a faria esquecer o pequeno pandeiro no bar e que aquele batom choque haveria de lhe saltar para os colarinhos. Mas acabe-se a descrição da pessoa antes da descrição do acto…

Pernas panorâmicas que se projectavam do banco dividiam a atenção com o sorriso cremalheira. Uma prateleira na qual se podiam pousar duas canecas de cerveja, mas tarde demais, era chegada a hora do copo alto. Os cubos de gelo não poderiam arrefecer aquele corpo de primeira classe. Os olhos, escondidos atrás do cabelo, escondido atrás da boina – estilo sem utilidade, o Sol ainda demorava – prometiam problemas. Quando o fixaram aprovou Nada mal!

Aproximou-se e começou a jogar. Mas as mulheres não são um jogo. Não um que se possa ganhar, pelo menos. Ela:

Tens um cigarro?

Tenho ar de quem dá à borla?

Ficou a pensar nela. E ela sim, tinha conseguido adormecer, depois de enrolar os lábios – os do batom e os outros – bem mais abaixo que os colarinhos da camisa. Taparam os buracos à vista no corpo, não conseguindo tapar aqueles que não se vêem. Esses precisam de romance, e romance não há aqui, nem resgates de vidas de percussão. É a noite fast-food, beijos estéreis e danças sem linguagem. Apesar de romântico, o amor que sentia nunca ia acima da cintura.

Reclamada a recompensa do prazer, abandonaram o corpo e o respirar, cada um para seu lado. Não querendo sossegar o fôlego, ele, clichê:

Queres um cigarro?

Tenho ar de quem fode à borla?

 

Gonçalo Fortes