If you look into the heart of darkness, you better have a black heart

Tipicamente, deixo o coração em casa. Tal como também não costumo começar textos com advérbios de modo. Mas são excepções como esta que me fizeram levá-lo naquela noite. Sei ao que vou, sei que não me dá jeito e que vai arranjar problemas, mas saí de casa à pressa. E lá foi ele, no sítio, amparado pela cava e suspenso pela aorta…

E ela soube aproveitar-se disso. O tambor no peito notava-se, era barulho surdo e palpitação invisível. Mas quem também trouxe o seu consegue notar os dos outros. Os que interessam.

O pior é que fiquei sem espaço para guardar a carteira. O enchumaço no bolso das calças não é estético e usá-la na mão não dá jeito nenhum! Ela foi prestável. Notou o meu problema, colocou a mão no meu peito e disse-me Gosto de ti.

Decidi oferecer-lho. A carteira ainda era de somenos, mas tinha também as chaves de casa e o telemóvel.

 

Gonçalo Fortes

 

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