Caution: Fragile

Deixa-me entrar. Deixas? perguntou ele enquanto batia três vezes. pum pum pum. Ela, com a face a milímetros da dele, limitou-se a respirar. Os milímetros eram pouca distância, mas havia algo entre eles. Uma porta de vidro que os impedia de se aproximarem mais. Preferiu não responder.

Deixa-me entrar. Deixas-me entrar? insistiu ele, escorrendo os lábios pela porta de vidro, como se procurasse uma falha, os lábios são mais sensíveis ao tacto que as pontas dos dedos. Ela sentiu-os como se escorressem pelo seu próprio corpo. Um sussurro nos ouvidos, um toque de saliva nos seios, um mordiscar da coxa, um embaciar da maldita porta! Deixando de conseguir vê-la, foi ele quem sem limitou a respirar. Ela bateu três vezes. pum pum pum.

Deixa-me. Para quê entrar, perguntou ela, quando o mundo está todo lá fora? Não tenho chave, não há sequer fechadura, deixa-me. É para aí que eu quero ir e não quero que mo relembres. Ambos bateram três vezes, já se percebeu que não é bater à porta. pumpum pumpum pumpum.

Aproveito esta deixa para esclarecer o leitor mais distraído que isto se passa num mundo a 3 dimensões. Não havendo planos infinitos, é só uma questão de dar a volta. Ou então arranjar um martelo. O bater e o respirar não sossegarão, antes pelo contrário. Mas pelo menos não se esborracha a cara, que pode ter alguma piada, mas é pouco estético.

Deixas-me sair?

Gonçalo Fortes

 

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