Category Archives: Filmes

Linha mortal 103

Agora que se sabe que o Manuel de Oliveira melhorou e quer voltar às filmagens, corre o rumor que o filme escolhido é a sequela do Flatliners.

 

Gonçalo Fortes

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Not purrfect!

Depois disto:

disto:

e também disto:

é isto o melhor que conseguem arranjar?

 

Gonçalo Fortes


Nulogamia

É automático! Assim que o copo me chega às mãos, se trouxer palhinha, deixa logo de a ter. Sempre assim fiz. Não é coisa de homem, beber por palhinhas. Tal como se perde a masculinidade se o copo trouxer uma sombrinha ou um qualquer líquido colorido, como esses Safaris, Blues Coraçaos ou Pisangs Ambons da vida. Bebida de homem é branca, amarela ou vermelha-escura e arranha sempre na traqueia, por gás ou por força. E sorve-se pela borda do copo.

E onde é que eu pretendo chegar com isto, para além de demarcar a existência dos Alcoólicos Anónimos Gays? Ao filme Crazy Stupid Love. Não me crucifiquem já: era a terceira hora do dia, a mioleira já não consumia muita Fosfoglutina B6 e uma  comediazinha romântica de fácil digestão era mesmo a desculpa que precisava para não ir dormir. Sim, que estas coisas do amor muitas vezes são farta brutos ou fazem azia. Podia dizer que gostei do filme pelos engates com classe ou porque havia muitas gajas boas. Mas na verdade, só estou a escrever isto porque no meu último texto não entrou nenhuma gaja. Nem apareceu a palavra “gaja” sequer. Ou no plural: “gajas”. Ou até o carinhoso que qualquer homem atira a uma desconhecida de pernas longas: “Ganda cavalona!”. Não! Não apareceu nada disso no meu último texto. E também não vai aparecer neste. Porque o que mais gostei no filme foi uma conversa sobre um copo com palhinha que vai totalmente de encontro ao que escrevi ali atrás.

Mas houve uma ideia colateral que me deixou a pensar: não percebo as pessoas que não conseguem estar sozinhas! O que nos leva ao título, que isto hoje é um dois em um: critica-se o filme e revisitam-se os costumes. Ou vice-versa…

Por sozinhas, não quero dizer completas solitárias, eremitas de pêlo na venta, que é pilosidade unissexo. Porque engate esporádico ou até frequente não invalida a condição de sozinho. Na manhã seguinte, expulsa-se o engate de casa e puff… home alone e nem sequer é Natal! E não há motivo para preocupação: o mundo pode estar a derreter, mas as mulheres bonitas são continuamente produzidas. Também não estou aqui a atacar a opção. Refiro-me mesmo à necessidade patológica de procurar sempre alguém para constante. Sempre uma muleta emocional para gostar delas. Uma monogamia sucessiva em detrimento de uma auto-estima sucessivamente crescente. É como acender cigarros uns nos outros, também faz mal aos pulmões.

E leva ainda ao não aproveitamento das vantagens óbvias. Se existisse no dicionário, a palavra “nulógamo” seria algo assim:

nulógamo
(nulo- + -gamo)

adj. s. m.
1. Que vive sozinho e à vontade.
2. Que bebe pela garrafa e arrota.
3. Que faz os horários que lhe apetece.
4. Que não limpa a banheira depois do banho.
5. Que não baixa a tampa da sanita.
6. Que acasala com montes de fêmeas. Porque pode. E gosta. E elas também, esperançosamente.
7. Que não tem de aturar birras ou discussões por todas as anteriores.
8. Que é invejado pela família e amigos por todas as anteriores, inclusive a 7.

Segundo o filme, o amor é estúpido e louco. Eu vou mais longe. Com a devida vénia ao MEC, concordo que O Amor é Fodido. Mas é preciso separar do que escrevi atrás. Se for de facto amor, será fodido, e assim até percebo que se aja de forma estúpida. Também eu o farei! O que não me cabe mesmo na cabeça é beber por palhinhas…

Gonçalo Fortes








Memories are made of this (ou Quando tens um martelo na mão, tudo te parece um prego)

Aborreço-me quando Hollywood rouba coisas que são minhas. E não me estou a referir à Scarlett Johansson, Natalie Portman ou Megan Fox (com um “x” apenas, se for com dois, estamos a falar de um assunto completamente diferente), mas sim aos meus heróis de infância ou livros que me inspiraram.

É aquela negação das modas ou a protecção do geek. Só que em vez de me enfiarem as cuecas na cabeça, espalham-nas, já usadas, a quem não as sente com paixão (e não, continuo a não estar a falar da outra com os dois “xx”).

Quanto às modas, eu não consigo sequer ver que os meus ténis são bicolores, dizem que têm lá prateado à mistura, mas eu chamo-lhe apenas verde, o que justifica mais ou menos que também não sou muito trendy.

Tudo razões para o aborrecimento de Hollywood. Continuo a rir-me sozinho na maior parte do filme, um certo prazer secreto em saber coisas, mas este não se sobrepôe àquele. E como todos temos um bocadinho de S&M, ainda venho para aqui fazer publicidade…

O filme é muito bom, Kenneth Branagh volta a confirmar-se como um dos meus realizadores preferidos e até trouxe uns óculos 3D para casa. Se alguém quiser sentir um bocadinho do mundo para onde eu vou quando fumo coisas ou dos valores que me fizeram como homem (há frases que simplesmente se impõem, temos que as deixar ir!), vá ver o Thor. Até têm a desculpa que é mitologia Norse, caso achem que a banda desenhada é coisa para crianças. Faltam lá a Encantor, Hela ou Balder, o Bravo, e o Volstagg fez dieta a mais, mas quem é que está a contar?

“Whosoever holds this hammer, if he be worthy, shall possess the power of Thor.”

Acho que é tempo de voltar a sentir o toque frio do aço nos calos das mãos. Ou as verdascas no resto do corpo…

Gonçalo Fortes


Devia chamar-se Paulada na Cabeça

Acabadinho de chegar do Sucker Punch, a última grande malha do realizador Zack Snyder. Sendo grande fã dos anteriores projectos dele, 300 e Watchmen, era obrigatório ver este.

Mas já dizia a minha avó a proverbial sabedoria de que cada macaco no seu galho. É que desta vez os génios da pena Frank Miller e Alan Moore não cuspiram tinta, sendo o argumento uma espécie de Alice no País das Maravilhas em esteróides, músculo sem conteúdo. Há quem diga que isso já foi feito, mas não quero agora aqui falar daquele que foi o meu divórcio com o Tim Burton.

Esta Alice usa katana, mini-saia estilo Navegante da Lua e até deve ter dentro do bolso, para dar sorte, uma pata arrancada à bruta ao Coelho Branco. Coxo, já tem desculpa para chegar atrasado a todo o lado.

Esta descrição convencia-me, até porque é minha, e se adicionarmos aqui dragões, samurais, battlemechs e uma boa dose das Alicettes, 5 bailarinas de cancan semi-nuas que acompanham a Alice para todo o lado, parece o sonho de qualquer geek. E deixem-me fazer jus às raparigas, que a escolha da palavra “boa” ali atrás não foi por acaso.

Mas, obrigado outra vez avozinha, nem tudo o que reluz é ouro: ou não se passa nada no filme, ou passa uma misturada em demasia, cheia de elementos gratuitos.

E não me interpretem mal, gosto tanto de mulheres semi-nuas como o próximo, ou talvez até mais. Apesar de saber há muito tempo que o sexo mais belo é também o mais forte, e pobre do homem que ainda acha o contrário, há qualquer coisa de excitante quando uma cara inocente com um vermelho Bourjois nos lábios se coloca em posições de força. Como as Charlie’s Angels ou a Margaret Thatcher.

Mas também posso ter descrito sem querer um qualquer filme pornográfico…

 

Gonçalo Fortes